Quando indicar a cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS) para a Doença de Parkinson?
- Dra. Patricia de Carvalho Aguiar
- 5 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de jan. de 2023
A estimulação cerebral profunda (Deep Brain Stimulation- DBS) é, atualmente, o tipo de cirurgia mais indicado para a doença de Parkinson. Após algumas décadas de acompanhamento de pacientes operados, hoje já compreendemos melhor suas indicações e benefícios. Essa cirurgia faz parte do rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde é coberta por planos de saúde.
Na cirurgia de DBS, um eletrodo é introduzido na região cerebral que queremos modular, a qual varia de acordo com os sintomas apresentados pelo paciente. Esse eletrodo é ligado a um gerador, que pode ser controlado externamente, para os ajustes necessários. A vantagem da DBS é que ela não provoca uma lesão permanente nos núcleos cerebrais e, caso o paciente não se adapte, o aparelho pode ser removido. Embora a cirurgia não traga a cura e nem impeça a progressão da doença, ela pode melhorar bastante a qualidade de vida.
De forma geral, as recomendações para indicar a cirurgia são:
Diagnóstico de doença de Parkinson há, pelo menos, 4 anos: essa é uma margem de segurança recomendada para termos certeza de que o paciente não tem um parkinsonismo atípico, o qual não responde à DBS.
Os sintomas motores devem responder à Levodopa: DBS trata sintomas que respondem bem à Levodopa, como a lentidão, rigidez e tremores. A exceção seria o tremor refratário à Levodopa, o qual também pode ter uma boa resposta à cirurgia. Normalmente, a cirurgia pode ser indicada quando o paciente responde à Levodopa, mas o efeito da medicação já não dura o dia todo, ou seja, ele apresenta flutuações motoras com períodos off, quando não responde à medicação. Outra indicação é quando o paciente apresenta movimentos involuntários (discinesias) em decorrência do uso da Levodopa. Normalmente, esperamos que a DBS deixe o paciente no equivalente à sua melhor resposta à Levodopa (período “on”) durante o dia todo. Sintomas que não respondem à Levodopa (exceto pelo tremor), não respondem à cirurgia.
Idade: hoje em dia a idade não é mais um fator determinante para indicar a cirurgia. Levamos muito mais em consideração se a pessoa possui distúrbios cognitivos (alterações importantes da memória) ou alterações de humor não controladas (p.ex. depressão, ansiedade), pois contraindicam a cirurgia.
Sintomas que podem melhorar com DBS | O que a cirurgia NÃO melhora |
Lentidão | Distúrbios de marcha, incluindo congelamento da marcha, que não melhora com levodopa |
Rigidez | Alterações de equilíbrio |
Tremor | Problemas de fala ou deglutição |
Problemas leves de caminhada, incluindo congelamento da marcha, desde que esses melhorem com Levodopa | Alterações de memória, alterações de humor, como depressão, ansiedade ou apatia (falta de motivação) |
Controle irregular dos sintomas ao longo do dia (flutuações motoras): tempo “on”, quando os sintomas são controlados, alternando com o tempo “off”, quando eles pioram. | Incontinência ou retenção urinária, disfunções sexuais |
Movimentos involuntários pela Levodopa (discinesia), incluindo contrações musculares anormais, muitas vezes dolorosas (distonia), como os dedos dos pés se curvando ou o pé torcendo para dentro. | |
Cada paciente tem suas particularidades, só uma avaliação minuciosa com o neurologista especializado em distúrbios do movimento poderá indicar se ele é ou não um bom candidato para cirurgia.
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